Gabriel Impaglione
Argentina
Convoco os poetas com violão
Tradução: Graciela Caramelino de Porfiri
Companheiros poetas,
aos irmãos,
em um dia de torre com sinos,
em uma hora dolorosa de papoulas,
em um minuto de concludente: chega!
Temos que dar batalha;
por cada bomba cem versos rigorosos,
por cada disparo um pombo.
Não podemos ser indiferentes aos ossários
Não si pode.
Já não se pode mais
morrer de costas.
Apelo aos jornalistas com honra.
Companheiros jornalistas,
aos irmãos,
à urgente Assembléia Universal da Ética.
Temos que recuperar a palavra
Exercer a verdade a tudo ou nada
romper o muro de aplausos à barbárie.
A feroz perversão do silêncio.
Para cada estilha de osso queimado,
para cada vômito de chumbo sobre o Líbano,
seis nomes de genocidas na primeira página
atestando as imagens do inferno.
Que caia acima deles o desprezo dos seus filhos
A punição dos povos , a angústia
brutal das vítimas remordendo-lhes a consciência.
Oh, irmãos
Não poderemos olharmos nos olhos,
nem falar de poesia, nem de amanhã,
nem lançar ao vôo sonhos de um grande pão dourado
para todos.
Não poderemos cantar bandeiras, nem domingos,
amor, justiça
verdade…
Não poderemos
Não poderemos
pronunciar vozes tão simples,
Não poderemos.
Já se sabe toda aquela gente que vai pelos salões
Com a palavra liberdade na boca.
Estão rompendo o mundo, companheiros.
Esfaqueiam-no dia a dia,
estes sete fanáticos de grandes bolsos
estão dividindo o mundo em pedaços.
E então, agora e aqui
Nós
A gente
Nada?
|